Remanso, Domingo, 24 de Junho de 2018

Trump e Kim assinam documento de cooperação

Por Souza Filho
12/06/2018 20:58

‘Completa desnuclearização da península coreana’ é um dos pontos do acordo assinado em cúpula histórica

Foto: AFP Photo/Saul Loeb

Com um aperto de mãos em frente a bandeiras dos EUA e da Coreia do Norte, Donald Trump e Kim Jong-un marcaram o início da cúpula histórica sobre a desnuclearização da Península Coreana, no primeiro encontro já realizado entre líderes dos dois países. Ao final da reunião, Trump e Kim se sentaram em frente a jornalistas e assinaram um documento de cooperação.

Por volta das 2h30 (em Brasília), os presidentes assinaram o acordo que, segundo eles, representa uma “cooperação entre os dois países”. O que se sabe até o momento é que o documento assinado pelos dois líderes inclui os seguintes pontos:
– Reafirmando a Declaração de Panmunjon, de 27 de abril de 2018, a Coreia do Norte se compromete a trabalhar para a “completa desnuclearização da península”;
– EUA e Coreia do Norte se comprometem a recuperar restos mortais de prisioneiros de guerra, começando pela imediata repatriação daqueles já identificados;
– Ambos os países irão “construir um duradouro e estável regime de paz” na Península Coreana;
– Os dois líderes também se comprometeram a estabelecer novas relações entre os EUA e a Coreia do Norte, de acordo com o desejo de paz e prosperidade da população dos dois países;
– Os EUA se comprometeram a dar “garantias de segurança” à Coreia do Norte;
– O Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, deverá se reunir “na data mais próxima possível” com um alto funcionário norte-coreano para continuar o diálogo bilateral sobre a desnuclearização.
Trump declarou que “os dois lados ficarão impressionados com o resultado da cúpula”. Já o líder norte-coreano afirmou que “o mundo verá uma grande mudança”. Com o discurso de deixar o passado para trás, o republicano ainda afirmou que “com certeza” irá convidar Kim para visitar a Casa Branca.
O presidente americano reconheceu Kim como um “negociador muito inteligente e valioso”, que negocia em favor de seu povo e ama o seu País. Questionado pelos repórteres sobre o que mais o surpreendeu durante a cúpula, Trump disse que o líder norte-coreano tem uma “grande personalidade” e é “muito inteligente. Uma grande combinação”. Para finalizar, ele ainda declarou que os líderes tiveram um ótimo dia e “ambos aprenderam muito sobre o outro e sobre os nossos países”.
Kim estava à vontade perante as câmeras e disse que ele e o presidente americano superaram “velhos preconceitos e práticas” para estarem frente a frente em Cingapura. O ditador se mostrou otimista na reunião entre as duas delegações: “Eu acredito que esse é um bom prelúdio para a paz”, afirmou. Trump respondeu: “Eu também”.
Pouco antes, o presidente americano disse que era uma “honra” participar da discussão e previu que teria um “relacionamento fantástico” com Kim, integrante de uma dinastia que há sete décadas controla o país mais fechado do mundo. Ao convencer Trump a participar da cúpula, ele conseguiu o que seu pai e seu avô buscaram sem sucesso: legitimar a Coreia do Norte no cenário internacional e negociar em pé de igualdade com a nação mais poderosa do mundo.
Quando ambos caminhavam lado a lado depois dos cumprimentos, as câmeras da emissora americana CNN captaram o tradutor de Kim transmitir a Trump o sentimento do norte-coreano em relação ao ineditismo do encontro: “Muita gente vai pensar que esse é um filme de ficção científica”. Os dois líderes apareceram na sacada do hotel por alguns segundos ao fim da reunião privada. À distância, repórteres perguntaram três vezes a Kim se ele estava comprometido com a desnuclearização, mas não tiveram resposta.
A cúpula começou com um encontro de 48 minutos dos dois líderes, do qual participaram apenas tradutores. Diante de jornalistas, antes do início das conversas, Trump declarou que ele e Kim teriam uma “grande discussão” e a reunião seria um “tremendo sucesso”. Em seguida, o norte-coreano falou com desenvoltura para quem governa um país no qual não existe imprensa livre. “Os velhos preconceitos e práticas foram obstáculos no nosso caminho, mas nós superamos todos e estamos aqui hoje.” Ao seu lado, Trump respondeu: “É verdade”.
Almoço de negócios e passeio pelo hotel
Após a reunião, os presidentes participaram de um almoço de negócios. Para o cardápio foram preparados pratos que combinam sabores asiáticos e do Ocidente. A Casa Branca divulgou que no menu foram servidos coquetéis de camarão acompanhados de salada de abacate,  kerabu de manga verde com mel de lima, polvo fresco e pepino recheado. Os pratos principais foram: costeletas de boi ao molho de vinho tinto, com batatas gratinadas e brócolis ao vapor; carne de porco crocante com molho agridoce e arroz frito com molho picante e bacalhau na brasa com soja e verduras asiáticas.
Como sobremesa, Trump e Kim foram servidos com tortas de ganache de chocolate amargo; sorvete de baunilha com calda de cereja e torta tropézienne, uma sobremesa francesa com massa de brioche recheada com creme.
Depois de 3h30 de reuniões, os líderes deixaram a sala onde almoçaram juntos e passearam até outra área do hotel Capella, onde se separaram para se reunir com suas respectivas delegações e avaliar os progressos da cúpula.
O presidente americano disse que sua reunião com o líder da Coreia do Norte foi “melhor do que o esperado” e ambos planejaram assinar em breve um documento, sobre o qual não deu detalhes. “A reunião foi realmente fantástica. Ocorreram muitos avanços. O máximo! Melhor do que se poderia esperar”, disse Trump em uma rápida declaração para a imprensa durante seu passeio com Kim. Do Estadão.

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