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13 de dezembro de 2018
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‘Frankenstein chinês’, criador de bebês editados geneticamente, desaparece

Pesquisador He Jiankui pode ter sido preso, mas a universidade onde ele trabalhava nega o rumor

Apelidado na imprensa mundial de “Frankenstein chinês”, o pesquisador He Jiankui sumiu,  informou o jornal “South China Morning Post”, sediado em Hong Kong. No entanto, a universidade onde o cientista trabalhou negou que Jiankui tenha sido detido.  Ele desapareceu após ter declarado ter editado genes de bebês. A última vez que foi visto foi no último dia 28 de novembro, em um evento científico em Hong Kong.  O governo chinês já prometeu punir os envolvimentos no polêmico projeto dos bebês geneticamente modificados.

O  pesquisador chinês anunciou, no dia 25 de novembro, em um vídeo difundido no YouTube, o nascimento, “algumas semanas atrás”, de duas meninas gêmeas cujo DNA foi editado para torná-las resistentes ao vírus da Aids, com o qual seu pai está infectado.

A China exigiu a suspensão das atividades científicas dos pesquisadores envolvidos no suposto nascimento dos primeiros bebês editados geneticamente.

“Instamos ao organismo que suspenda as atividades científicas das pessoas envolvidas”, indicou o vice-ministro da Ciência e Tecnologia, Xu Nanping, em uma entrevista à rede CCTV. O ministério “se opõe firmemente” a estes experimentos, explicou.

“Este incidente viola de forma flagrante as leis e normas chinesas, e traspassa abertamente os limites da moral e da ética da comunidade universitária”, acrescentou.

Seria um fato mundialmente inédito. No entanto, o anúncio causou agitação na comunidade internacional, tanto por razões científicas como éticas. A Comissão Nacional da Saúde, que tem status de ministério, investiga atualmente as afirmações do pesquisador.

Em um comunicado, um grupo de 122 cientistas chineses lamentou nestes últimos dias a “loucura” do cientista. Especialistas do genoma, reunidos em um colóquio em Hong Kong, condenaram também, nesta quinta-feira, o ato “irresponsável” de He Jiankui.

Ante a polêmica gerada pelas pesquisas, que não foram contrastadas de forma independente, o autor dos trabalhos declarou, nesta quarta-feira, que estava fazendo uma “pausa” em seus ensaios clínicos.

No entanto, He Jiankui se declarou ao mesmo tempo “orgulhoso” de ter permitido o nascimento dos dois bebês.

O cientista ia participar de novo no dia 29 de novembro na segunda cúpula sobre a edição de genoma em Hong Kong, uma reunião geralmente confidencial mas que obteve publicidade mundial devido a seu anúncio.

No entanto, He não estava no programa oficial, e o presidente do comitê de organização, o prêmio Nobel David Baltimore, afirmou aos jornalistas que foi o próprio cientista que cancelou sua presença, e não os organizadores.

Oito casais

He afirmou que oito casais – formados por um pai soropositivo e uma mãe soronegativa — se apresentaram voluntariamente para participar do experimento, mas um deles desistiu. Também falou de “outra gravidez potencial”, que implicaria outro casal, mas não detalhou se esta gravidez estava em andamento ou terminou em aborto espontâneo.

He Jiankui, formado na universidade americana de Stanford, diz ter utilizado a técnica CRISPR/Cas9, que permite aos cientistas remover e substituir uma fita de DNA com precisão. As gêmeas nasceram, segundo ele, após uma fecundação in vitro a partir de embriões que foram editados antes de ser implantados no útero da mãe.

Esta técnica abre perspectivas no âmbito das doenças hereditárias. Mas é polêmica, visto que as modificações realizadas seriam transmitidas às gerações futuras e poderiam afetar o conjunto do patrimônio genético.

Em seu comunicado, os organizadores da cúpula consideram que as modificações do genoma de células germinativas poderiam ser “aceitáveis” no futuro se forem respeitados critérios rigorosos, em particular “uma supervisão independente e estrita”. Explicam, no entanto, que as incertezas científicas e técnicas são muitas “e os riscos, altos demais” para contemplar “por enquanto” ensaios clínicos.

A imprensa de Hong Kong informou que o fundador de uma associação baseada em Pequim que ajuda soropositivos lamentava ter apresentado famílias aos pesquisadores do laboratório de He. “No início não sabíamos o que realmente estavam fazendo”, declarou este fundador, Bai Hua, que afirma ter apresentado cerca de 50 famílias ao pesquisador chinês. “Agora, meu sentimento pessoal é que são um pouco loucos”, afirma.

Via: Diário do Nordeste

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