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17 de agosto de 2019
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Estelionatário era ‘dono da cadeia’ e corrompia servidores públicos

Um homem saiu do status de simples estelionatário, suspeito de golpes que envolviam pequenas cifras, para se tornar o “dono da cadeia”, movimentar milhões de reais, ter “empregados” e realizar megaeventos dentro de presídios, sob as vistas das autoridades. Já detido na Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos (São Paulo), Cláudio Aritana Lopes Santos, de 39 anos, foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva, cumprido ontem, com a deflagração da Operação Laranjas, pelo Ministério Público do Ceará (MPCE).

“Ele construiu uma grande fortuna dentro do sistema penitenciário. Ao todo, em face da quebra do sigilo bancário e fiscal, nós apuramos que transitou, na conta do Cláudio Aritana e dos ‘laranjas’ que integravam a operação, uma quantia superior a R$ 4 milhões (somente entre janeiro de 2016 e julho de 2017). Em posse desse dinheiro, Aritana se tornou o maior gestor do presídio, porque ele passou também a vender drogas e corromper agentes penitenciários, o que também está sendo fruto de outras investigações do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc)”, resumiu o procurador-geral de Justiça do Ceará, Plácido Rios.

Aritana diversificou o leque de golpes quando já estava preso e teve contato com um hacker, que o protegia dentro do presídio. De lá mesmo, ele começou a ligar para agências lotéricas, principalmente do interior de estados do Norte e Nordeste, e se passar por funcionário da Caixa, para solicitar algumas movimentações financeiras que terminavam em contas suas e de ‘laranjas’.

Treinou outros detentos e transformou o Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis) – também conhecido como CPPL V – em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), em uma espécie de call-center do estelionato. O golpe deu tão certo que, com o dinheiro arrecadado, o estelionatário decidiu instalar a sua própria agência lotérica, em Caucaia, para aperfeiçoar os crimes. E criou uma rede de ‘laranjas’, formada por familiares, amigos, amantes e familiares e amigos destes, para realizar a lavagem do dinheiro obtido nos crimes.

A investigação já levou Cláudio Aritana e os ‘laranjas’ Brena Kézia da Silva Lima de Sousa, Danyelle Stefane Cavalcanti Silva de Lima, Glaubênia Rodrigues de Souza, Ana Paula de Menezes Barbosa, Antônia Flávia Souza de Oliveira, Claudimar Lopes Santos, Daniel David Pereira Lopes, Edna Lopes da Silva, Judite Raiany Gomes Lemos e Maria da Creusa da Silva Lima a virarem réus em um processo por 14 crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ontem, além do mandado de prisão, o MPCE, com apoio da Polícia Civil, cumpriu mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Quixadá e São Paulo e apreendeu documentos que serão analisados posteriormente.

Servidores

O ‘dono da cadeia’ não estava satisfeito. “Depois disso, ele começou a ingressar em outro mercado, ainda mais lucrativo, que era controlar a venda de drogas e telefones celulares dentro das unidades. E a subornar agentes públicos. As pessoas que compravam essas drogas faziam pagamentos a pessoas que estavam fora, no esquema de lavagem de dinheiro”, detalha o promotor responsável pela investigação, Manuel Pinheiro.

Todos os crimes tinham conhecimento e consentimento da direção da Unidade e de outros servidores públicos, segundo o MPCE. A Operação Laranjas é um desdobramento da ‘Mecenas’, na qual o diretor da Cepis, Humberto Vargas Dorneles, foi afastado das funções, por suspeita de corrupção, em maio de 2018. Interceptações telefônicas ligavam o agente penitenciário justamente a Cláudio Aritana. Já a ‘Mecenas’, por sua vez, é um desdobramento da ‘Masmorras Abertas’, deflagrada em abril do ano passado para afastar diretores de outros presídios e desarticular um esquema de corrupção dentro do sistema penitenciário cearense.

Eventos

Aritana retribuía o trabalho de outros internos e a parceria dos agentes penitenciários com vantagens financeiras e festas – até dentro do presídio. “Ele chegou a ter tanto poder dentro da unidade que ele patrocinou uma exposição de artes, com um buffet, cobertura de um programa de TV. Foi justamente isso que chamou atenção do Núcleo de Investigação Criminal. Como um detento poderia patrocinar um evento daquela natureza?”, questiona Pinheiro.

A festa, realizada no Cepis, contou com a participação de autoridades, inclusive da titular da antiga Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus). “Descobrimos que tudo foi pago por ele (preso), inclusive as telas, pincéis, tintas. Tudo era feito para que ele pudesse fraudar a remissão. Ele não trabalhava, assinava as telas junto com os outros presos e conseguia remir o tempo de pena, o que garantiu que ele pudesse ser colocado em liberdade rapidamente”, revela o promotor de Justiça Humberto Ibiapina.

‘Don Juan’

Cláudio Aritana Lopes Santos se autointitula ‘Don Juan’ e afirma ter várias namoradas, que inclusive participavam do esquema criminoso como ‘laranjas’. No presídio, ele patrocinava a prostituição. Mas por trás do homem que se diz galanteador, está um suspeito de cometer vários estupros e extorsão contra mulheres. O Cepis, onde ele esteve preso, reúne detentos da “massa carcerária”, que inclui criminosos sexuais e homens que não estão ligados a facções criminosas – que não aceitam este tipo de crime.

Ao conseguir a liberdade provisória no Ceará, ‘Don Juan’ fugiu para São Paulo e foi preso de novo por suspeitas de estelionato e estupro. Ao aceitar a denúncia, a Justiça também determinou a indisponibilidade de 10 apartamentos e dois veículos do líder da quadrilha.

DN

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