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Os dilemas de Lula com convite de Trump para Conselho da Paz de Gaza

Durante o lançamento do Conselho, nesta quinta-feira, Trump estava acompanhado de líderes e representantes de 19 países que aderiram à iniciativa

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou sua passagem pelo Fórum Econômico de Davos, na Suíça, nesta quinta-feira (22/01), para fazer o lançamento oficial do “Conselho de Paz”.

Trata-se de um grupo de países sob o comando do governo norte-americano que, inicialmente, tinha com o objetivo promover a reconstrução e a desmilitarização da Faixa de Gaza após mais de dois anos de conflitos entre o Hamas e Israel.

A criação do grupo está prevista em uma resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) endossada em novembro de 2025 e que prevê que ele atue na administração transitória da Faixa de Gaza até que a Autoridade Palestina finalize um processo de “reforma”.

Durante o lançamento do Conselho, nesta quinta-feira, Trump estava acompanhado de líderes e representantes de 19 países que aderiram à iniciativa, entre eles os da Arábia Saudita, Indonésia e Argentina. O Brasil também foi convidado pelo governo norte-americano para fazer parte do novo órgão. “Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”, disse Trump na terça-feira (20/01).

Até agora, porém, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre o assunto.

Diplomatas com conhecimento do assunto confirmaram à BBC News Brasil que o governo recebeu o convite e que o país está realizando consultas internas e junto aos seus aliados sobre se irá ou não aceitar o convite do presidente Trump, mas que ainda não há prazo para que o Brasil se manifeste sobre o tema.

Apesar de endossada pelo Conselho de Segurança da ONU, a proposta vem gerando desconfiança entre analistas e governos sobre os reais objetivos do órgão criado por Trump. As dúvidas sobre se o conselho seria exclusivamente para tratar da reconstrução de Gaza aumentaram nos últimos dias depois que o conteúdo da carta fundadora do grupo foi divulgado por veículos de imprensa.

Um dos pontos que chamou atenção no documento foi a falta de uma menção específica à Faixa de Gaza, o que levantou questões sobre se o Conselho existiria apenas para lidar com a questão palestina ou se seria uma tentativa de substituir a ONU, entidade que é frequentemente criticada por Trump.

A carta prevê, por exemplo, que Trump será o presidente do Conselho e que o grupo terá um conselho executivo composto, em grande maioria, por integrantes do governo norte-americano como o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, o enviado especial do presidente, Steve Witkoff, e o genro e conselheiro de Trump, Jared Kushner.

Em maio às incertezas sobre o Conselho, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que o convite feito por Trump coloca o governo brasileiro diante de alguns dilemas que dificultam uma decisão rápida sobre integrar ou não o grupo proposto por Trump. O primeiro deles é resultado da falta de clareza, até agora, sobre como funcionará e qual a abrangência do conselho. O segundo está relacionado a uma possível retaliação norte-americana caso o Brasil recuse participar da iniciativa.

O terceiro é sobre os riscos de perda de influência regional em caso de recusa do Brasil em participar do grupo uma vez que países vizinhos da América do Sul já anunciaram sua adesão ao Conselho.

Fonte: BBC News

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