18 de abril de 2026
Remanso News
  • Home
  • Destaque
  • Chesf anuncia fechamento de hospital em Paulo Afonso; MPF se manifesta
Destaque Geral

Chesf anuncia fechamento de hospital em Paulo Afonso; MPF se manifesta

O encerramento das atividades do Hospital Nair Alves de Souza (HNAS), em Paulo Afonso (BA), que atende também aos municípios de Glória, Rodelas, Abaré, Macururé, Chorrochó, Santa Brígida, Jeremoabo e Pedro Alexandre, anunciado pela Chesf, causou apreensão a população e provocou o MP.

A falta de repasses pelo município, que recebe recursos do Ministério da Saúde, seria o principal motivo apontado pela direção da Gestão Corporativa da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que oficializou a comunicação a gestão municipal, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) e ao Ministério Público Estadual e Federal.

No documento, a Chesf afirma que vem arcando com o custo da unidade, em cerca de R$ 50 milhões por ano e anunciou algumas medidas que seriam tomadas para reduzir as despesas com o hospital.

Segundo o comunicado, haverá o cancelamento de cirurgias eletivas; a partir de 1º de março, a urgência estará aberta das 7h às 19h; também a partir de março, não haverá atendimento de ortopedia e o número de postos médicos obstetras urgentistas será reduzido de dois para um; em seis meses, o número de leitos do HNAS será reduzido em até 60%; e até dezembro de 2020, com ou sem transferência definitiva da unidade hospitalar para Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), a Chesf vai se retirar da operação e da gestão do hospital.

A Companhia cobra da prefeitura de Paulo Afonso um débito de R$ 18.259.531, 79, relacionado ao hospital “valor histórico líquido e com base em dezembro de 2018”, diz a companhia. A dívida é referente ao contrato firmado entre a Chesf e o município em fevereiro de 2016, com duração de 12 meses, quando a unidade passou a oferecer exames e consultas em diversos procedimentos clínicos, mediante Coordenação da Secretaria Municipal de Saúde.

Após a celebração de dois aditivos, a vigência do contrato foi prorrogada, e encerra no próximo dia 2 de fevereiro.

A prefeitura rebateu as acusações, afirmando que a Chesf “é devedora do município em R$ 56.939.284, 16 referente a Imposto Sobre Serviço (ISS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), taxa de fiscalização e funcionamento, licença ambiental, entre outras taxas”.

O município também esclareceu que Chesf e município estavam em um processo administrativo de compensação de débito, uma vez que o município deve à companhia cerca de R$ 18 milhões referentes aos serviços realizados no hospital, mas que a gestão municipal ainda teria um saldo em seu favor de mais de R$ 38 milhões.

A decisão da Chesf vem sendo considerada de unilateral, já que as medidas anunciadas pela companhia, descumpririam o que foi acordado desde 2015.

“A medida descumpre tudo aquilo que foi acordado desde 2015 e seguia ainda em 2018, inclusive com Termo de Compromisso formal, onde a Chesf se compromete em investir cerca de R$ 45 milhões na reforma e melhorias no HNAS, incluindo a implantação dos 30 leitos de UTI. Após esses investimentos, o termo assinado ainda prevê o repasse do Nair para a Univasf, que será gerido pela Ebserh. Essas reformas deveriam ser realizadas até dezembro de 2020”,  disse o secretário de saúde do município, Ivaldo Sales Júnior,

O gestor municipal também demostrou surpresa com a decisão da companhia.

“Ficamos sem entender o porquê do envio do ofício, uma vez que já tínhamos um Termo de Compromisso firmado. O documento faz acusações gravíssimas à Prefeitura que não são verídicas, imputado à gestão um débito que não existe. Essas são acusações muito sérias que não se pode falar levianamente. O HNAS é o suporte do serviço de saúde de uma região, atendendo milhares de pessoas”.

Após a repercussão do caso, a companhia emitiu um esclarecimento. “A Chesf não cogita encerrar as atividades do HNAS. Ao contrário, as medidas anunciadas pela Companhia Fazem parte de planejamento empresarial para transferência da gestão e operação do hospital à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que deverá ocorrer até dezembro de 2020”, informa trecho da nota.

A empresa ressaltou que, “como empresa estatal de capital aberto, com a finalidade social de gerar, transmitir e comercializar energia elétrica, a Chesf não tem missão estatutária de prestar serviços públicos de atendimento médico-hospitalar”.

Tomando conhecimento do anúncio das medidas que causarão um impacto em toda região de Paulo Afonso, o procurador da República, Fernando Túlio Silva, enviou ofício a diretoria da Chesf, recomendando a suspensão do procedimento adotado pela empresa para encerrar ou diminuir a carga de atendimentos no hospital Nair Alves de Souza.

A recomendação não impede que o Ministério Público emita novas recomendações, mas a companhia terá um prazo de 10 dias para aceitar ou não o proposto pelo procurador.

BN

Posts relacionados

Comitê do São Francisco Emite Nota Sobre Manchas Escuras nas Águas do Rio

Redação Remanso News

MEC altera regras para criação de cursos de Direito

Redação Remanso News

Após clarão e estrondo, objeto não identificado é encontrado por moradores em Camaçari

Redação Remanso News

Gilberto Gil receberá homenagem do primeiro-ministro da Índia em evento no Brasil

Redação Remanso News

Prefeitura de Petrolina divulga programação de aniversário da cidade

Redação Remanso News

Remanso: Raio atinge casa e mata um homem na zona rural

Redação Remanso News

Deixe um comentário