1 de maio de 2026
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Bolsonaro centraliza decisões sobre a corrida eleitoral na Papudinha

Segundo aliados, há uma estratégia em curso para garantir que as orientações e “desejos” do ex-presidente circulem entre os principais nomes do campo bolsonarista

Foto: Divulgação/Reprodução

Sob custódia e com visitas controladas por decisão judicial, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continua no centro das articulações políticas da direita. Nos bastidores, aliados admitem que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não autorizará todos os pedidos de visita, mas afirmam que há uma estratégia em curso para garantir que as orientações e “desejos” do ex-chefe do Executivo circulem entre os principais nomes do campo bolsonarista.

Segundo uma aliada do primeiro escalão, a movimentação tem como objetivo manter a coesão do grupo e assegurar que decisões políticas sejam alinhadas com Bolsonaro, independentemente do local onde ele esteja. “Nós sabemos que Moraes não autorizará todos a visitar Bolsonaro, mas estamos nos articulando para que todos estejam a par dos desejos do ex-presidente. Não tenho dúvidas de que, onde quer que ele esteja, nós vamos cumprir o que for dito.”

A fonte ainda sustenta que o ex-presidente segue mobilizado, apesar do quadro pessoal delicado, e que uma de suas maiores preocupações são os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Para aliados, isso explica a centralidade das pautas da anistia e da revisão de penas, por meio da chamada dosimetria. “A dosimetria é a prova de que Bolsonaro não está pensando nele, porque ele não vai ser beneficiado agora”, disse a aliada, ao defender que o tema extrapola interesses individuais. Vale destacar que o presidente Lula vetou a dosimetria no último dia 8 de janeiro, mas a oposição se articula para derrubar o veto.

Nesse contexto, a visita do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), autorizada por Moraes na sexta-feira, é tratada como estratégica. Aliados destacam o capital político do parlamentar e a projeção nacional adquirida após a chamada “Caminhada pela Liberdade”, mobilização liderada por ele que durou cerca de seis dias e reuniu discursos contra o STF e em defesa da anistia aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes e principalmente a Bolsonaro. A expectativa é que o encontro reforce a sintonia entre Bolsonaro e uma das principais vozes do bolsonarismo no Congresso.

Enquanto alguns conseguem avançar, outros esbarram nas restrições impostas pelo Judiciário. Nesta semana, o magistrado negou pedidos de visita feitos pelos advogados de Bolsonaro para encontros com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e com o senador Magno Malta (PL-ES). No caso de Valdemar, a justificativa foi objetiva: ambos respondem ao mesmo processo por tentativa de golpe, o que impede qualquer comunicação direta entre eles.

Palanque

Apesar das negativas, a fila de aliados que buscam a chamada “bênção” de Bolsonaro só cresce. Também na sexta-feira, parlamentares do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul protocolaram pedidos formais ao STF solicitando autorização para visitas. A avaliação entre aliados é de que estar próximo do ex-presidente, ainda que indiretamente, pode pesar nas disputas internas do PL e na definição de estratégias eleitorais.

Prova disso é que decisões consideradas centrais já teriam partido de Bolsonaro mesmo antes de sua transferência para a Papudinha, no Distrito Federal. Ainda na Superintendência da Polícia Federal, ele teria batido o martelo em favor do nome do filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como aposta do grupo para a disputa presidencial de 2026.

As conversas sobre o futuro eleitoral continuaram nos encontros autorizados. Na quinta-feira passada, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitou Bolsonaro e reiterou que disputará a reeleição no estado, ao mesmo tempo em que reforçou apoio a Flávio para a corrida presidencial. O diálogo evidenciou que, mesmo atrás das grades, Bolsonaro segue sendo uma referência incontornável para aliados e potenciais candidatos.

Ainda assim, o cerco judicial impõe limites claros. Tentativas de alinhar estratégias partidárias mais amplas, como a formação de alianças para o Senado, têm encontrado resistência no STF. Para aliados, o desafio agora é manter a influência política do ex-presidente ativa, navegando entre autorizações pontuais, negativas do Judiciário e uma base que continua a enxergá-lo como principal fiador do projeto político do bolsonarismo.

Fonte: Correio Braziliense

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