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“Condenação de Marielle é vitória, mas há lacunas”, afirma Marta Rodrigues

Para a parlamentar, condenação dos mandantes é marco contra a violência política, embora rede de apoio ao crime ainda precise de esclarecimentos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A vereadora Marta Rodrigues (PT) afirmou nesta quarta-feira (25) que a condenação de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, apontados como mandantes da morte da vereadora Marielle Franco, representa uma vitória importante contra a impunidade, mas não encerra a necessidade de esclarecimentos completos sobre o crime. 

Para a parlamentar, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) é um marco na luta pela responsabilização de feminicídios e de crimes políticos no Brasil, ao mesmo tempo em que reforça a cobrança para que todos os detalhes da trama sejam plenamente revelados. “É, sim, uma vitória histórica. Depois de tantos anos de mobilização, de dor e de resistência, ver os responsáveis condenados é um passo fundamental. Mas ainda há perguntas que precisam ser respondidas. A sociedade brasileira tem o direito de conhecer toda a verdade sobre esse crime que abalou o país”, declarou.

Segundo Marta, a decisão reafirma que crimes cometidos contra mulheres que ocupam espaços de poder e denunciam injustiças não podem ficar sem punição. Ela destacou que a resposta institucional só foi possível graças à pressão contínua da sociedade, mas enfatizou que a Justiça precisa ir além do veredito e alcançar todos os aspectos que cercaram o crime. “Esperamos que todos os pormenores sejam esclarecidos. A sociedade brasileira precisa saber exatamente quem articulou, quem financiou, todos os agentes e políticos que estavam por trás desse crime político brutal. Quais os agentes de Estado obstruíram as investigações e o porquê. A Justiça completa é aquela que não deixa nenhuma pergunta sem resposta”. 

Conforme a vereadora, a demora de oito anos revela uma intrincada trama criada para obstruir as investigações que envolveu a cúpula da Polícia Civil à época, além de políticos e uma rede de matadores de aluguel com profundas conexões com o crime organizado. “Esperamos que essa decisão inspire o mesmo empenho em outros casos de feminicídio e de violência política. A punição precisa ser regra, não exceção. Cada caso que fica sem resposta enfraquece a democracia”. 

A vereadora ressaltou que Marielle Franco foi assassinada por enfrentar estruturas de poder ocupando um espaço que historicamente foi negado às mulheres negras e periféricas. “Tentaram silenciá-la, mas o legado que ela deixou é maior que qualquer tentativa de apagamento. Ela deixa um encorajamento permanente e uma corrente firme de mulheres e homens que seguem lutando por justiça, igualdade e respeito à vida”. 

Histórico – O assassinato da vereadora Marielle Franco ocorreu em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, e provocou forte comoção nacional e internacional pela dimensão política do crime. Marielle e o motorista Anderson Gomes foram executados a tiros após saírem de um evento no centro da cidade. 

Após anos de investigação, o Supremo Tribunal Federal condenou os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, deputado federal, apontados como mandantes do assassinato. Os executores do crime, o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz, já haviam sido condenados anteriormente pela participação direta na execução. A responsabilização dos mandantes representa um dos desfechos mais emblemáticos no enfrentamento à violência política no país.

Fonte: Tribuna Da Bahia

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