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Apoiados por Huck, grupos de renovação política buscam reinvenção e miram 2020

O ano é de renovação na renovação. Passado o frenesi das urnas, grupos independentes que contribuíram para a eleição de novas caras em 2018 vivem uma fase de redefinir prioridades e adaptar rotas.

A principal mudança para organizações como o Agora!, o RenovaBR e o Acredito é o fato de que elas passaram a ter braços no poder –não só nos Legislativos, principal foco no ano passado, mas também no Poder Executivo.

Renova e Agora!, as entidades mais conhecidas desse ecossistema (não por coincidência, ambas apoiadas pelo apresentador e empresário Luciano Huck), elegeram juntas 17 parlamentares e tiveram ao menos 21 integrantes nomeados para outros cargos.

Com apoio do Renova, que ofereceu curso por seis meses e bolsa que variou de R$ 5.000 a R$ 12 mil, saíram vitoriosos das urnas -entre outros, os federais Tabata Amaral (PDT-SP) e Marcelo Calero (PPS-RJ), os estaduais Daniel José (Novo-SP) e Renan Ferreirinha (PSB-RJ) e o senador Alessandro Vieira (PPS-SE).

Todos são novatos em cargos eletivos e adotam no mandato um discurso de novas práticas, ancorado em valores como ética e transparência.

Integrantes que não tiveram a mesma sorte acabaram sendo chamados para outros postos na administração pública, em secretarias e assessorias de governos estaduais.

Para citar dois: Paulo Mathias (Novo-SP) virou secretário-executivo da pasta de Desenvolvimento Social do governo João Doria (PSDB-SP) e Mayra Pinheiro (PSDB-CE) assumiu uma secretaria do Ministério da Saúde na gestão Jair Bolsonaro (PSL).

“Na nossa avaliação, todas as pessoas que participaram do programa poderão dar uma contribuição nesses espaços a partir da formação a que tiveram acesso”, diz o empresário Eduardo Mufarej, que fundou o Renova em 2017.

Na seara eleitoral, o foco da entidade se volta para a disputa de 2020. Mais de 9.500 pessoas de todo o país se inscreveram no processo de seleção para líderes que querem concorrer a vereador ou prefeito.

“O principal desafio é como sair de um universo de 27 estados, como era no ano passado, para uma realidade de 5.600 municípios”, diz Mufarej.

Além de ajustar a temática da capacitação para assuntos ligados às cidades, como leis de ocupação do solo e programas de saúde preventiva, a entidade adotará outra logística, com menos atividades presenciais e mais aulas a distância.

O Agora!, que na origem não tinha a eleição de novatos como meta, vê em 2019 a chance de retomar seu espírito inicial. O movimento foi criado para estimular políticas de sustentabilidade e combate à desigualdade.

A ideia no momento é consolidar a plataforma como “um centro de boas ideias e práticas inovadoras”, afirma o cientista político Leandro Machado, fundador e porta-voz.

O grupo lançou durante a campanha eleitoral uma agenda com 130 propostas para áreas como segurança pública, economia, educação e saúde. Pretende, daqui para a frente, trabalhar para aprofundar as sugestões e, principalmente, executá-las.

Além dos três membros do Agora! eleitos para o Legislativo (dois deles também amparados pelo Renova), o movimento conta com representantes nomeados em governos que acabaram de começar.

São os casos, por exemplo, de Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do governo de São Paulo; Rafael Parente, secretário de Educação do Distrito Federal; e Natalie Unterstell, superintendente de inovação da Casa Civil do governo do Paraná.

Há alguns dias, o grupo quase passou a contar com uma voz no governo federal. A fundadora Ilona Szabó foi chamada pelo ministro Sergio Moro (Justiça) para integrar o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, mas, após críticas nas redes sociais, acabou desconvidada por decisão de Bolsonaro.

A especialista em segurança pública é a favor do desarmamento, o que vai contra as políticas do novo governo.

Na visão do Agora!, contar com membros no Legislativo e no Executivo é um meio para ampliar o alcance de seus debates e tentar implementar as ideias que defende.

A reinvenção das organizações embute ainda um esforço para manter a relevância fora do contexto eleitoral.

É comum ouvir dos líderes que esses grupos ajudaram a puxar a oxigenação política tão desejada em 2018, mas que é natural haver uma queda na visibilidade em anos sem votação. O diagnóstico é o de que, apesar das dificuldades, o trabalho precisa continuar porque ainda há muito a ser feito.

“A gente achou que depois das eleições o entusiasmo iria esfriar e a galera iria desmobilizar um pouco, mas dobrou o número de seguidores nas redes sociais e o de voluntários aumentou significativamente”, diz Samuel Emílio, coordenador nacional do Acredito.

O grupo, com representantes em 40 cidades de 17 estados, teve quatro membros eleitos, todos também do Renova: os federais Tabata Amaral e Felipe Rigoni (PSB-ES), o estadual Renan Ferreirinha e o senador Alessandro Vieira.

Para os próximos meses, a prioridade é mapear ao menos cem pré-candidatos a vereador e prefeito aptos a receber apoio. A entidade pretende repetir o modelo da eleição passada: criar uma rede para trocas de experiências e dar visibilidade às campanhas.

O plano é semelhante ao da Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), que desde já mira o pleito municipal. Diferentemente de outras organizações da área, a incubadora não busca puramente a renovação de quadros.

O discurso é o de qualificar os agentes públicos no país, sejam eles novatos ou não.

Na entressafra eleitoral, a entidade acompanha os participantes com mandato (que hoje são cerca de cem, em variados cargos e níveis) e fica atrás de novos nomes. O processo seletivo mais recente recebeu 3.500 inscrições.

A rede foi criada em 2012, o que lhe dá quilometragem maior em relação aos principais grupos da área, surgidos de 2016 em diante. Parte dessas entidades, inclusive, é derivada da Raps, como lembra a diretora-executiva da rede, Mônica Sodré. “É um orgulho olhar para um universo que ajudamos a construir”, diz.

Para ela, que é cientista política, 2018 foi um marco na renovação e na participação dos cidadãos. “O desafio para os próximos anos é fazer essa rede de organizações trabalhar em conjunto.”

BN

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