“É difícil ver os primeiros seis meses de um governo tão ruim como esse na histórica norte-americana”, diz Sergio Vale

O retorno de Donald Trump para a Casa Branca chacoalhou o mundo. Neste domingo, 20, quando alcança a marca de seis meses do seu segundo mandato, o republicano caminha para deixar como legado – ao menos por ora – uma economia global que deve crescer menos nos próximos anos e uma conjuntura muito mais arriscada.
“É difícil ver os primeiros seis meses de um governo tão ruim como esse na histórica norte-americana”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Se formos comparar com os presidentes das últimas décadas, Trump entra na história como o pior de todos. Ele não tomou nenhuma medida adequada que possa ser positiva para a economia dos EUA e mundial.” Em abril, o Fundo Monetário Internacional reduziu a expectativa de crescimento da economia mundial de 3,3% para 2,8%. À época, o FMI alertou para o fato de a economia global ser caracterizada por um elevado grau de integração econômica e financeira e indicou que o tarifaço de Trump é uma “importante fonte de turbulência”.
Com as tarifas de importação, por exemplo, Trump detonou uma guerra comercial agressiva e colocou o mundo num cenário de grande incerteza – o que, no limite, inibe os investimentos das empresas e o consumo das famílias. “É uma reviravolta completa. Ele, na verdade, volta 60 anos na política comercial”, diz Gesner Oliveira, sócio executivo da consultoria GO Associados.
Nesses seis meses, Trump tem adotado uma política comercial de “morde e assopra”. No pior momento, os analistas ficaram receosos com a possibilidade de um impacto maior na atividade global. Hoje, a leitura que se faz é que as tarifas vão prevalecer, mas não serão tão agressivas quanto se imaginava no início do segundo governo do republicano. Em 2 de abril, no que chamou de “Dia da Libertação”, Trump anunciou suas tarifas recíprocas para 185 países. Poucos dias depois, teve de adiar a entrada em vigor das tarifas por 90 dias, porque o mercado financeiro entrou num modo de pânico. As empresas chegaram a perder trilhões em valor de mercado e os investidores se desfizeram de títulos dos EUA – num claro sinal de que a economia americana havia deixado de ser um porto seguro.
Por Luiz Guilherme Gerbelli/Agência estado



