1 de maio de 2026
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Manuel Rocha: ‘Jerônimo não deu uma identidade própria ao seu governo’

O DEPUTADO estadual Manuel Rocha (União Brasil) concedeu entrevista exclusiva à Tribuna em que abordou temas centrais da política baiana e nacional

Foto: Divulgação/Reprodução

Presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o deputado estadual Manuel Rocha (União Brasil) concedeu entrevista exclusiva à Tribuna em que abordou temas centrais da política baiana e nacional. Ex-prefeito de Coribe e consolidado como liderança política no Oeste baiano, o parlamentar fez críticas às gestões do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Lula (PT), com ênfase em temas como segurança pública, regulação da saúde e infraestrutura.

Durante a conversa, o parlamentar afirmou que Jerônimo ainda não deu uma identidade própria à sua gestão e que a Bahia segue enfrentando graves desafios em áreas essenciais. Na ocasião, ele também avaliou o cenário eleitoral de 2026, projetando uma disputa acirrada entre o grupo liderado por ACM Neto e o atual governo. Segundo ele, há um “sentimento de fadiga de material” com o PT, tanto no plano estadual quanto federal. O deputado acredita que o enfraquecimento da popularidade de Lula no interior baiano pode favorecer a oposição.

Ao comentar os impactos do aumento tarifário anunciado pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros, Manuel Rocha responsabilizou Lula por tensionar a relação com os Estados Unidos. Ele citou dados da Fieb sobre possíveis perdas de empregos e classificou a medida como uma retaliação política ao governo federal.

Sobre o agronegócio, sua principal bandeira, o parlamentar disse que o setor tem avançado, mas com pouco apoio direto dos governos estadual e federal. Para ele, faltam investimentos estruturantes que permitam o crescimento sustentável da produção no Oeste baiano. À reportagem, Manuel confirmou a sua pré-candidatura a deputado federal em 2026.

Confira a entrevista na íntegra:

Tribuna – De modo geral, como o senhor avalia a gestão de Jerônimo Rodrigues? Acredita que o governador chega forte para 2026?

Manuel Rocha – Eu acho que o governo de Jerônimo ainda deve à população o compromisso com o que foi prometido na eleição, especialmente em relação aos principais temas debatidos em 2022, como a questão da segurança pública. A Bahia continua liderando os índices de violência. A fila da regulação continua sendo a fila da morte. Os índices de educação seguem entre os piores do Brasil. Então, falta entrega. O governador tem inaugurado muitas obras do governo anterior, de Rui Costa, e ainda, depois de dois anos e meio, não deu uma identidade própria ao seu governo. Claro que, com a máquina na mão, ele chega competitivo para o ano que vem.

Tribuna – Como avalia também a força de ACM Neto? Será uma eleição difícil?

Manuel Rocha – Vai ser uma eleição competitiva. Neto tem crescido muito, tem rodado o interior da Bahia. O sentimento que vejo é realmente de fadiga de material em relação ao PT, que está no governo há 20 anos. Em relação ao governo federal, também existe um desgaste com o mandato do presidente Lula. Promessas foram feitas e não foram cumpridas, como a da picanha e do aumento da qualidade de vida dos brasileiros. Então, Lula, que tinha uma aprovação muito alta no interior da Bahia, hoje tem uma aprovação visivelmente decadente. Inclusive, os próprios deputados da base reconhecem isso. Esse desgaste de Lula acaba favorecendo ACM Neto, já que, na eleição passada, ele não tinha palanque. Ele não subiu no palanque de Bolsonaro e também não podia criticar Lula, porque Lula era visto como uma salvação aqui no Nordeste. Agora, ele pode apoiar abertamente um candidato da direita – e nós torcemos para que seja Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo – e pode criticar o governo Lula sem problema nenhum, porque essas críticas estão vindo da própria população.

Tribuna – Esse tarifaço de Trump pode, de alguma forma, prejudicar a economia da Bahia, principalmente o agronegócio? Como o senhor enxerga essa questão?

Manuel Rocha – Com certeza, prejudica a economia brasileira e a economia baiana. Dados da Fieb indicam a possibilidade de perda de 10 mil empregos no setor produtivo. Temos aí produtos como celulose, pneus e cacau, que serão mais afetados aqui na Bahia. A nível de Brasil, são 110 mil empregos que podem ser perdidos. No meu entendimento, houve uma irresponsabilidade muito grande do presidente Lula nesse tarifaço imposto por Trump, no momento em que ele faz críticas contundentes ao governo americano e ao presidente Trump, como ocorreu na reunião dos Brics no Rio de Janeiro. Ele quer comprar briga com o segundo maior parceiro comercial do Brasil, em vez de dialogar. O Brasil tinha uma tarifa de 10%, a menor entre todos os países. Nunca se vendeu tanta carne aos Estados Unidos, mesmo com essa tarifa de 10%, como estava sendo vendido neste ano. E houve, evidentemente, uma retaliação política ao governo federal com a imposição dessa tarifa de 50%, que acaba prejudicando todo o setor produtivo. Então, o caminho agora é que o presidente Lula tente abrir o diálogo e resolver esse imbróglio que ele ajudou a criar.

Tribuna – Essa medida de Trump pode ajudar Lula no sentido de alimentar o discurso de “nós contra eles”?

Manuel Rocha – Vai depender do debate político. Evidentemente, Lula vai tentar jogar essa conta para a direita, porque o presidente Trump cita Bolsonaro como uma das justificativas em sua carta. Mas a avaliação que eu faço é que Bolsonaro foi um “boi de piranha” nessa história. Houve realmente uma retaliação política contra o presidente Lula por todas as críticas feitas por ele ao presidente americano, especialmente durante a recente reunião dos Brics. Mas agora ele tem, como chefe de Estado, a responsabilidade de resolver esse problema. Precisa deixar a vaidade e o orgulho de lado. A maior parte interessada somos nós, brasileiros. Ele tem que entrar em contato com o governo americano, colocar a diplomacia para trabalhar e tentar reverter a situação, porque o prazo está acabando: dia 1º de agosto. Se a tarifa de 50% for concretizada, será uma bomba atômica econômica jogada sobre o nosso país.

Tribuna – Uma de suas lutas na Assembleia Legislativa é em relação à Coelba, para melhoria do serviço. De lá para cá, o senhor viu algum avanço ou essa dificuldade de diálogo com a empresa ainda existe?

Manuel Rocha – A Coelba anunciou investimentos vultosos na Bahia, mas essa melhoria precisa chegar na ponta. A Coelba figurou, no ano de 2024, como a segunda empresa com maior número de reclamações no Procon: foram 1.700. Então, precisamos que todo investimento anunciado pela Coelba se transforme em aumento da qualidade do serviço. Inclusive, apresentei um projeto de lei que está tramitando e institui uma indenização automática aos consumidores por interrupção no fornecimento de energia. De 24 a 48 horas, essa indenização será no percentual de 10%; de 48 a 72 horas, 30%; e, acima de 72 horas, 50% sobre o valor médio da conta de energia dos últimos seis meses. Uma indenização automática, que não exige qualquer pedido por parte do consumidor. Isso busca punir a Coelba pela má qualidade na prestação do serviço e forçá-la a fazer mais investimentos.

Tribuna – Tanto na gestão de Lula quanto na de Jerônimo, o senhor viu algum avanço em termos de apoio ao setor do agro no Brasil e na Bahia?

Manuel Rocha – O agronegócio tem se fortalecido muito, mas, no meu entendimento, o agro ajuda mais o governo do que o governo ajuda o agronegócio. Isso porque ainda faltam grandes investimentos em infraestrutura rodoviária e energética. Nosso país, que tem sido governado há tantos anos pelo PT, ainda clama por investimentos mais robustos para que o setor produtivo do agronegócio possa avançar. Existem milhares de hectares de terra no Oeste baiano, já com licenciamento ambiental e outorga d’água garantidos, que não podem ser implementados por falta de infraestrutura energética para iniciar as atividades. Isso mostra que o país carece de condições estruturais para permitir um avanço ainda maior do agro — é claro, de forma sustentável e respeitando toda a legislação ambiental.

Tribuna – Tivemos uma mudança na gestão da Assembleia Legislativa com Ivana Bastos. O que o senhor tem visto de suas propostas nesse curto período de atuação?

Manuel Rocha – A presidente Ivana tem colocado sua identidade na gestão, fez substituições de peças importantes, quadros que estavam lá há décadas foram substituídos. É natural, já que ela quer deixar sua marca. Tem prestigiado os deputados, pautando projetos de autoria dos parlamentares, e confio muito que ela fará uma grande gestão, dando prioridade para que possamos acelerar a votação de muitos projetos de lei que estão pendentes. Sempre se deu prioridade aos projetos do Poder Executivo, então acredito que uma das grandes marcas da gestão de Ivana será justamente essa valorização das proposições dos deputados estaduais.

Tribuna – Tivemos a operação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senhor acha que isso tende a tensionar a conjuntura política nacional?

Manuel Rocha – Não tenho dúvidas. Isso vai acirrar cada vez mais os ânimos e o debate político. Vai se encaixar no discurso de perseguição que o ex-presidente Bolsonaro tem propagado, especialmente depois de ele postar o apoio do presidente Trump em relação a tudo isso que ele considera perseguição. Na sequência, veio essa medida do STF impondo restrições, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com o filho e de aproximação de embaixadas e consulados. No meu entendimento, tudo isso reforça a narrativa de perseguição que ele vem sustentando contra o sistema político e judiciário do país. Avalio que, daqui para frente, o debate político será mais acalorado, mais acirrado — o que é ruim para o Brasil. O que realmente importa é o desenvolvimento econômico, e a polarização prejudica muito, como as pesquisas têm indicado. A maior parte da população acha que nem Lula, nem Bolsonaro deveriam ser candidatos na próxima eleição.

Tribuna – Quais são seus planos para o ano que vem? O senhor pretende renovar o seu mandato ou alçar outros voos?

Manuel Rocha – Eu sou pré-candidato a deputado federal, já tenho caminhado pela Bahia. O deputado José Rocha colocou seu nome à disposição para disputar uma vaga na chapa majoritária do ano que vem, especificamente ao Senado. Por isso, tenho trabalhado para ocupar o espaço deixado por ele e também expandido minha atuação em outras regiões da Bahia. Esse é o meu caminho, e espero garantir uma vaga na Câmara Federal no ano que vem. 

Fonte: Tribuna da Bahia

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