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Após 8 anos, Bob Dylan lança disco que vai de balada romântica até reflexão sobre a morte

Foto: Fred Tanneau/AFP

Em 2016, Bob Dylan ficou se perguntando o que suas canções tinham a ver com literatura, quando se tornou o primeiro compositor a ganhar o Nobel da categoria. O júri concedeu o prêmio afirmando que o músico tinha “criado novas expressões poéticas dentro da grande tradição da música americana”. Dylan não foi buscar a congratulação em Estocolmo, capital sueca. Enviou no seu lugar a também gigante multiartista Patti Smith, que fez a performance. Quatro anos depois, o cantor lança novo disco, Rough and rowdy ways, oito anos depois de Tempest, o último trabalho. De fato, Dylan não precisou de discurso algum, está tudo ali, em 1h10 de faixas que implodem a cronologia das narrativas históricas, em um conjunto exuberante e múltiplo de referências à arte, à literatura e à própria cultura pop, que ele ajudou a construir.

Essa vertigem histórica na poética tem como ponto de partida um cantor aos seus 79 anos, que participou ativamente dos movimentos pelos direitos civis nos EUA na década de 1960 e agora vê um mundo à beira do caos. Na entrevista ao The New York Times, Dylan se manifestou sobre os episódio recentes de racismo e disse que teve “náuseas ao ver George Floyd ser torturado até a morte”.
É num mosaico histórico que o disco se firma, de Shakespeare a Homero, passando por Rolling Stones e Martin Scorsese. “Quando comecei a escrever minhas próprias músicas, a linguagem popular era o único vocabulário que eu conhecia e eu a usei”, disse Dylan. Na faixa de abertura, I contain multitudes, em uma referência ao ensaísta e jornalista norte-americano Walt Whitman, Dylan se coloca no centro do furacão dessas contradições dele e do mundo. “Eu sou como Anne Frank, como Indiana Jones / E como os bad boys britânicos, os Rolling Stones”, canta.


É muito importante termos um artista como Bob Dylan, que abraça essas contradições depois de tudo que criou e assistiu nascer e morrer. Nesses oito anos até o novo disco, os fãs e o público amargaram o silêncio de Dylan: foram poucas aparições públicas e entrevistas. Na mais recente, ao NYT, o músico falou sobre o disco, ressaltando que o que está posto não são  metáforas, mas um conjunto de narrativas tangíveis. “As letras são coisas reais.”
Boa parte do disco segue a linha da recitação folk, em tom muito minimalista e com melodia acústica. Mas Rough and rowdy ways também tem três rock-blues, que derrubam qualquer dogma de que rock é um jogo para jovens: False prophet, Goodbye Jimmy Reed e Crossing the Rubicon. “Eu não sou um falso profeta / Eu só sei o que sei”, diz, no blues oldschool False prophet. Já em My own version of you não vemos um Dylan que se nega como falso profeta, mas que brinca de Deus reanimando corpos e levando com ele aquilo que acha mais interessante. “Vou levar o Scarface Pacino e The Godfather Brando”, canta, com um toque forte de humor obscuro.


Outra pérola do disco é I’ve made up my mind to give myself to you, uma canção mais simples, que mostra uma face mais romântica desse novo Dylan. O “lado A” do álbum termina com a belissíma Key West (Philosopher’s pirate), uma meditação sobre a morte, que toma como principal paisagem uma estrada e presta homenagens aos ícones beatniks Ginsberg, Corso e Kerouac, que marcaram a literatura da contracultura nos anos 1950 e 1960. O disco conta com a participação de Blake Mills e Fiona Apple, que neste ano, depois de um hiato igualmente longo, lançou o incrível Fetch the bolt cutters.
A segunda parte do disco é composta unicamente pela história americana com contornos de mitologia grega: Murder most foul. O assassinato de John F. Kennedy através dos olhos de Dylan é uma tragédia, o marco da perda de inocência de toda uma geração que acreditava em uma outra América – na época o músico tinha 22 anos.


A canção é uma jornada melancólica de 17 minutos, uma incursão poderosa por imagens e ícones da cultura norte-americana.  Em algum momento da letra, Dylan pronuncia aquelas – que segundo reza a lenda – foram as últimas palavras que Kennedy ouviu: “Não diga que Dallas não te ama, Sr. Presidente”, teria dito a primeira-dama do Texas, Nellie Connally. O épico que encerra Rough and rowdy ways é uma peça enigmática do conjunto da obra. Dylan cria umsdisco repleto de sobreposições históricas, segundo ele todas elas reais. São as narrativas de um homem que entrelaça sua vida com a história do país, amplifica a contradição de ambos e acredita que ninguém passará ileso. Nem ele mesmo.

Por: Andre Sá Rosa/ Diário de pernambuco

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